As salas limpas são classificadas pela limpeza de seu ar. O método mais fácil de entender e mais aplicado universalmente é aquele sugerido nas versões anteriores (A a D) da Federal Standard 209 dos Estados Unidos. Nessa norma antiga, o número de partículas iguais e maiores do que 0,5 mícron é medido em um pé cúbico de ar e essa contagem é utilizada para classificar a sala. A versão mais recente da norma 209E também adotou uma nomenclatura métrica. Nas Normas da Grã-Bretanha, a Norma Britânica 5295, publicada em 1989, essa também é a medida usada para classificar as salas limpas. Essa norma está prestes a ser substituída pela norma BS EN ISO 14644-1.
Federal Standard 209
Essa norma foi publicada pela primeira vez em 1963 nos Estados Unidos e é entitulada "Clean Room and Work Station Requirements, Controlled Environments" (em português, “Requisitos para Salas Limpas e Estações de Trabalho”). Ela foi revisada em 1966 (209A), 1973 (209B), 1987 (C), 1988 (D) e em 1992 (E). Encontra-se disponível através da seguinte organização:
Institute of Environmental Sciences and Technology (em português, Instituto de Ciências e Tecnologia do Meio Ambiente)
940 East Northwest Highway
Mount Prospect, Illinois, 60056 USA
Tel: 0101 708 255 1561
Fax: 0101 708 255 1699
e-mail: iest@iest.org:
Quadro 1: Federal Standard 209D Class Limits (em português, Norma Federal 209D - Limites de Classe)
Na nova 209E publicada em 1992, as concentrações suspensas no ar da sala são dadas em unidades métricas (p. ex.: por m³) e as classificações da sala definidas como o logaritmo da concentração de partículas suspensas no ar ³ 0,5 mícron . Por exemplo, uma sala Classe M3 possui um limite de partículas para partículas ³ 0,5 mícron de 1000/m3. Isso é demonstrado no Quadro 2.
Quadro 2: Federal Standard 209E (em português, Norma Federal 209E)

British Standard 5295:1989 (em português, Norma Britânica)
Essa norma é disponível através da seguinte organização:
B S I Standards
389 Chiswick High Road
London W44 AL
Tel 0181 996 9000
Fax 0181 996 7400
e-mail: info@bsi.org.uk
A British Standard (em português, Norma Britânica) é dividida em cinco partes, que são:
Parte 0 – Introdução geral e termos e definições para salas limpas e aparelhos de ar limpo. (4 páginas)
Parte 1 – Especificações para salas limpas e aparelhos de ar limpo. (14 páginas)
Parte 2 – Métodos para especificação de design, construção e licença de salas limpas e aparelhos de ar limpo. (14 páginas)
Parte 3 – Guia de procedimentos operacionais e disciplinas aplicáveis a salas limpas e aparelhos de ar limpo. (6 páginas)
Parte 4 – Especificação para o monitoramento de salas limpas e aparelhos de ar limpo para atestar a contínua conformidade com a norma BS 5295. (10 páginas)
A parte 1 da norma contém dez classes de limpeza ambiental. No quadro 3 pode-se ver as classes da norma. Todas as classes têm contagens de partículas especificadas para no mínimo duas faixas de tamanho de partículas a fim de proporcionar confiança adequada sobre a variação do tamanho de partículas relevantes a cada classe.
Quadro 3 BR 525 Classes de Limpeza Ambiental
Norma BS EN ISO
Devido ao grande número de normas para salas limpas produzidas por países individualmente, tornou-se desejável a criação de uma norma mundial de classificação para salas limpas.
A primeira norma para salas limpas da ISO foi publicada em junho de 1999 como 14644-1 ‘Classification of Air Cleanliness’ (em português, “Classificação de Limpeza do Ar”). Essa norma está prestes a ser adotada como uma norma européia e conseqüentemente, se tornará uma norma para todos os países-membros da União Européia. Essa norma é disponível em organizações de normatização por todo o mundo e na Grã-Bretanha é disponível pela BSI. A classificação que foi adotada é exibida no quadro 4.
Quadro 4. ISO 209 Classes selecionadas de limpeza de partículas suspensas no ar para salas limpas e zonas limpas.

O quadro é derivado da seguinte fórmula:

Cn representa a concentração máxima permitida (em partículas/m3 de ar) de partículas suspensas no ar que são iguais ou maiores do que o tamanho da partícula considerada. Cn é arredondado para o número cheio mais próximo. N é o número de classificação da ISO, que não deve exceder o valor de 9. Números intermediários de classificação da ISO podem ser especificados; sendo 0,1 o menor incremento permitido de N. D é considerado o tamanho da partícula em mícrons. 0,1 é uma constante com dimensão em mícrons. O quadro 4 mostra a correspondência com as antigas classes da norma FS 209 (p. ex.: ISO 5 é equivalente à antiga norma FS 209 Classe 100).
O estado de ocupação é definido nessa norma como se segue:
As built (em português, Como construída): A condição em que a instalação está completa, com todos os serviços conectados e funcionando, mas com nenhum equipamento de produção, materiais ou pessoal presentes.
At rest (em português, Em repouso): A condição em que a instalação está completa, com todos os equipamentos instalados e funcionando de uma maneira acordada entre o cliente e o fornecedor, mas com nenhum pessoal presente.
Operational (em português, Operacional): A condição em que a instalação está funcionando de uma maneira específica, com o número especificado de pessoal presente e trabalhando da maneira acordada. A norma também oferece um método pelo qual o desempenho de uma sala limpa pode ser verificado (p. ex.: locações de amostras, volume de amostras etc.) Esses fatores são similares à norma FS 209. Ela também inclui um método para especificar uma sala utilizando partículas fora da faixa de tamanho dada no quadro 4. Partículas menores (ultrafinas) são muito usadas pela indústria de semicondutores e as grandes (³ 5 mícrons – macropartículas) são utilizadas por indústrias como a indústria de aparelhos médicos, onde as partículas menores são de nenhuma importância prática. Fibras também podem ser utilizadas.
O método empregado com macropartículas é usado no seguinte formato:
‘M(a; b);c’
onde
a é a concentração/m3 máxima permitida
b é o diâmetro equivalente.
c é o método de medição especificado.
Um exemplo encontra-se a seguir:
‘M(1 000; 10 mícrons a 20 mícrons); impactador de cascata seguido de medição e contagem microscópica´.
Pharmaceutical Clean Room Classification
EU GGMP
O mais recente conjunto de normas para uso na Europa entrou em operação em 1 de janeiro de 1997. Elas estão contidas em uma ‘Revision of the Annex to the EU Guide to Good Manufacturing Practice-Manufacture of Sterile Medicinal Products’ (em português, “Revisão do Anexo ao Guia da União Européia para Boas Práticas de Manufatura – Manufatura de Produtos Medicinais Estéreis”). A seguir encontra-se um texto extraído das informações na norma que são relevantes para o projeto de salas limpas.Para a manufatura de produtos medicinais estéreis são atribuídos quatro níveis. A classificação das partículas suspensas no ar para esse níveis é exibida no quadro a seguir.

Observações:
(a) A fim de alcançar os níveis de ar B, C e D, o número de trocas de ar deve ser relativo ao tamanho da sala e aos equipamentos e pessoal presentes na sala. O sistema de ar deve ser suprido com filtros apropriados, como filtros HEPA de níveis A, B e C.
(b) As orientações dadas para o número máximo permitido de partículas na condição “at rest” corresponde aproximadamente à norma US Federal Standard 209E e às classificações ISO, como demonstrado a seguir: níveis A e B com classe 100, M 3.5, ISO 5; nível C com classe 10 000, M 5.5, ISO 7 e nível D com classe 100 000, M 6.5, ISO 8.
(c) Os requisitos e limites para essa área dependerão da natureza das operações realizadas. As condições dadas no quadro para o estado "em repouso" devem ser atingidas no estágio sem interferência humana após um pequeno período de “limpeza” de 15 a 20 minutos (valor recomendado), depois das operações terem sido completadas. As condições das partículas para o nível A para o estado “operacional” dado no quadro devem ser mantidas na zona imediatamente circundante ao produto sempre que o produto ou o recipiente aberto estejam expostos ao ambiente. É aceito que pode não ser possível demonstrar conformidade com as normas de partículas no ponto em que o estágio de enchimento esteja em andamento, devido à geração de partículas ou gotículas de água do próprio produto. Exemplos de operações que podem ser realizadas nos vários níveis são expostas no quadro abaixo.

Um monitoramento microbiológico adicional também é exigido em outras operações que não as de produção, p. ex.: após a validação de sistemas, limpeza e sanitização.

Observações:
(a) Esses são valores médios.
(b) Placas de sedimentação individuais não podem ficar expostas por mais do que 4 horas.
(c) Alertas apropriados e limites de ação devem ser estabelecidos para os resultados de monitoramento. Se esses limites forem excedidos, procedimentos de operação devem recomendar ações corretivas.
Tecnologia de Isolador e Enchimento por Sopro (apenas extraído)
O ar exigido para o ambiente geral depende do design do isolador e de sua aplicação. Ele deve ser controlado e no caso de processamentos assépticos, deve ser de no mínimo nível D.Os equipamentos de sopro/enchimento e vedação utilizados para a produção asséptica construído em conjunto com um ducha de ar efetivo de nível A pode ser instalado em um ambiente de no mínimo nível C, contanto que vestimentas de níveis A/B sejam usadas. O ambiente deve estar em conformidade com os limites viáveis e inviáveis no estado “em repouso” e com o limite viável somente quando “em operação”. Os equipamentos de sopro/enchimento/vedação utilizados na manufatura de produtos para esterilização terminal devem ser instalados em um ambiente de no mínimo nível D.
Diretrizes para Produtos Medicamentosos Estéreis Manufaturados por Processos Assépticos
Esse documento foi produzido pela FDA nos Estados Unidos e publicado em 1987. São definidas duas áreas: a “área crítica”, onde a forma de dosagem estéril, os recipientes e as vedações são expostos ao ambiente; e a “área controlada”, onde produtos sem esterilização, materiais em processamento e recipientes e vedações são preparados.
Os requisitos ambientais para essas duas áreas relacionadas no Manual são as seguintes:
Áreas críticas “O ar nas proximidades imediatas de recipientes/vedações esterilizadas e expostas e de operações de enchimento/fechamento é de qualidade aceitável de partículas quando tiver uma contagem de partículas por pés cúbicos de não mais do que 100 na faixa de tamanho de 0,5 mícron ou maior (Classe 100) quando medidas a não mais do que um pé de distância do local de trabalho, e na entrada do fluxo de ar, durante as operações de enchimento/fechamento. A agência reconhece que algumas operações de enchimento de substâncias em pó podem gerar altos níveis de partículas de pó, que por sua natureza não representam um risco de contaminação de produto. Pode não ser possível, nesses casos, medir a qualidade do ar à distância de um pé e ser capaz de diferenciar os níveis de partículas de pó originárias da manipulação do próprio produto de contaminantes suspensos no ar que podem prejudicar a qualidade dos produtos. Nesses casos, é importante, de qualquer maneira, colher amostras de ar de maneira que se possa, até um certo ponto, caracterizar o verdadeiro nível de partículas de contaminação extrínsicas às quais o produto é exposto. O ar em áreas críticas deve ser insuflado até o ponto de uso como o ar de fluxo laminar filtrado por filtros HEPA, a uma velocidade suficiente para varrer as partículas para fora da área de enchimento/fechamento. Normalmente uma velocidade de 90 fpm - pés por minuto (mais ou menos 20%) é adequada, embora velocidades mais altas possam ser necessárias em operações que geram altos níveis de partículas ou nas quais as configurações dos equipamentos rompem o fluxo laminar.
O ar também deve ser de uma alta qualidade microbial. Uma incidência de mais do que uma unidade formadora de colônia por 10 pés cúbicos é considerada como atingível e desejável.
As áreas críticas devem ter uma pressão diferencial positiva em relação a áreas adjacentes menos limpas; uma pressão diferencial de 0,05” c.a.. é aceitável.
Áreas controladas “O ar em áreas controladas geralmente é de uma qualidade aceitável de partículas se tiver uma contagem de partículas por pés cúbicos menor do que 100.000 na faixa de tamanho de 0,5 mícron e maiores (Classe 100.000), quando medidas nas proximidades dos artigos expostos durante os períodos de atividade. Quanto à qualidade microbial, uma incidência de não mais do que 25 unidades formadoras de colônias por 10 pés cúbicos é aceitável.
A fim de manter a qualidade do ar em áreas controladas, é importante alcançar um fluxo de ar e uma pressão diferencial suficientes em relação às áreas adjacentes não controladas. Referente a isso, o fluxo de ar suficiente para atingir pelo menos 20 trocas de ar por hora e, no geral, uma pressão diferencial de no mínimo 0,05” c.a.. (com todas as portas fechadas), é aceitável. Quando as portas estão abertas, o fluxo de ar na direção do exterior deve ser suficiente para minimizar o ingresso de contaminação.”

Essas informações foram compiladas de várias fontes, incluindo as agências listadas e o manual ‘Clean Room Technology’ (em português, “Tecnologia de Salas Limpas”) como escrito por Bill Whyte.


